domingo, 22 de julho de 2007
Com a palavra, Viviane Mosé
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão
mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema
pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima
lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema" ...
Poemas do livro Pensamento do Chão
Autora Viviane Mosé
Fonte: http://www.rubedo.psc.br/Poesias/vivimose.htm
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Sou toda sua, caro doutor!

sexta-feira, 13 de julho de 2007
Apenas eu e meus sentidos
Estou sentada num canto. Muito bem acomodada. Os olhos fechados...
Deixo-me invadir pelo som. Permito-me sentir a energia que quiser passar por minha pele. Concedo-me a dança.
No escuro me vejo refletida em meus próprios olhos... Fechados. A mente dominada. Por melodias... Sensações... Livre de emoções!
Apenas eu e a música...
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Leitura no divã
Impressionante a capacidade de pensar em todo o resto do universo quando se é obrigado a ler algo que não se quer ler. Ainda mais quando o documento está tremendamente mal escrito e são citados tantos SEs e SENÃOs que nos faz sentir parte daquele velho jogo Cama de Gato que era apresentado pela Lucinha Lins...
Jogo... Cama de Gato... Lucinha Lins... É... Fui longe desta vez! Acho que tirei esse programa tão do fundo do baú do meu cérebro que caí dentro dele. As únicas coisas que consigo pensar enquanto tento ler esse maldito documento são: o sofá da casa do meu falecido avô, a soneca que eu tirava nele quando chegava da escola embalada ao som do velho e nem tão bom Chaves...
(...)
Hummm... Soneca... Como eu gostaria de tirar uma soneca agora!
(...)
Enfim, eu vejo enormes vantagens em trabalhar como analista de testes. Entre elas, a que mais me atrai é a variedade de atividades. Ora você gera documentos registrando as diferentes situações de uso às quais um produto pode ser submetido, ora você "brinca" com o produto tentando provocar e encontrar o máximo de defeitos possíveis, entre outros... No entanto, a parte mais chata é a transição entre projetos e documentos. A fase em que você termina uma especificação de uma parte do produto e inicia os estudos de outra parte. Mal você consegue festejar o fechamento de um conjunto de atividades e já tem que estudar outro...
Aliás, estudar nunca foi o meu forte. Tenho que trabalhar isso urgentemente antes que eu inicie e largue outra faculdade. O fato de sentar e ler, ler e ler faz ponte direta com o recanto em que Morfeu habita o meu ser. Tanto que sempre começo a ler sentada e termino deitada na cama fazendo do livro meu travesseiro. Isso definitivamente tem que mudar. E rápido! Pois tenho projetos que quero alcançar até que minha filha chegue ao 6º ano.
Bom, enquanto isso o trabalho continua exigindo atenção e a atenção continua teimando em me abandonar. Volta e meia me pego com o olhar congelado sobre a tela sem nem saber no que eu mesma estou a pensar. Uma sensação de inanição regida pela impossibilidade de fuga.
(...)
Fuga...
Tudo que eu queria fazer era fugir pra um lugar isolado por um bom tempo... Eu e minha filha... Numa pousada pacata à beira-mar... Uma rede balançando enquanto os olhos se fecham...
(...)
E isso tudo por que não terminei de ler nem o fluxo básico do tal documento! Pelo visto, até o final das 13 (!) páginas eu escrevo o meu pergaminho pedindo socorro e jogo na Baía de Guanabara.
Quem será que virá me resgatar?
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Dissertações sobre o saco
Nosso Papai do Céu quando fez as coisas não as fez a toa... Sabia ele a quem deveria dar o quê, em seus lugares devidamente colocados...
Analisando por esta ótica, seria natural entender que mulher não foi feita para ter saco. Sendo assim, não seria nada anormal dizer que estou sem o mínimo saco hoje para trabalhar, certo? Pois bem! Meu saco está na negativa, invertido... Ao invés de ficar pendurado e cheio, está virado para cima, vazio (graças aos Céus porque de bucho cheio seria um saco completo a durar pra vida inteira!).
sexta-feira, 6 de julho de 2007
O tema hoje é: foda mal-dada, como fazer para se livrar desta praga?
Tenho que desabafar: Meu ano, até agora, foi servido por 4 diferentes especiarias. Um de cada canto do Brasil. Sabores distintos, fortes. Sabores que prometiam temperos orgásticos... No entanto o resultado final de todos os 4 pratos foram porções mal servidas e/ou insossas!
E não adianta dizer que prato de vitrine é de plástico porque a maioria, senão todos, eram artefatos escondidos no fundo da prateleira. Achei eu, com a minha burra inocência, que isso representava conteúdo apurado... Eis que digo: Se inocência é algo santo, os santos devem bater com a cabeça no vidro da janela sempre que querem voar para fora delas...
Bom, justiça seja feita, o menor de todos os pratos, aquele que menos me apetecia, foi quem melhor deu conta no recado. Diria até que realizou um feito inédito que nenhum outro prato de qualquer espécie jamais conseguiu...
Enfim, créditos dados a quem tem direito, agora o que me resta é descobrir como fugir deste carma que parece me perseguir ano afora... Será que resolve dormir ate que 2008 chegue? Por via das duvidas, ao invés de jogar flores para os Santos no mar, vou arriscar jogar umas camisinhas para ver se me protejo por inteiro destes resultados indesejados... Quem sabe sobre a calcinha amarela, um bordado bem acabado de látex extra-reforçado?!?! ;)
Foda mal-dada
Quando eu era mais nova e morava com o pai da Pietra todos na casa dele usavam uma expressão que achava hilária: sempre que alguma coisa ruim acontecia eles diziam "Que foda mal dada!"... Desde então, sempre que algo ruim acontece, eu tenho como de praxe repetir tal jargão...
Nas ultimas semanas, no entanto, é que vim a experimentar o real teor destas palavras! E tenho que concordar com o emprego que eles dão a esta expressão: É impressionante o que uma foda mal dada pode fazer com sua vida: frustração momentânea, quebra de rotina, afastamento de pessoas queridas do convívio diário, mal-querer de pessoas que nem deveriam saber que eu existo, olhares maldosos sobre encontros inocentes... Enfim, uma serie de mal-estares que não compensam em nada o ato vivido!
É... Dadas às experiências atuais, estou começando a pensar na implementação de um processo mais rigoroso para futuros projetos temporários... Talvez a adoção de um check list com os principais riscos de falha no negocio, o qual encerraria com a seguinte pergunta:
"Os riscos que envolvem o indivíduo valem as conseqüências de uma foda mal-dada?"